sábado, 10 de novembro de 2018

NOMES PRÓPRIOS E COMUNS




Para as crianças do Centro de Educação Infantil
Andréa Pace/Aquidauana,
projeto Identidade e Autonomia,
professora Fabiana Aparecida Vaz Benevides.






O que será nome próprio?
Eu pergunto à criançada
Estudante do Pré I
Que está toda animada
Para fazer um projeto
Sobre essa “nomaiada”.

Atenção Luiz Arthur,
Mikaely e Ezequiel
Luiz Felipe, Emanuelly,
Natália, Natanael,
Me respondam rapidinho
Ao ouvirem este cordel:

Aquidauana, a cidade
E os seus próprios sobrenomes
São nomes comuns ou próprios?
E o que dizer desses nomes:
Desse CEI Andrea Pace
E o da Escola Erso Gomes?

Os nomes Luan, Lohayne,
Maria Eduarda e também
Os dos seus lindos colegas
Luiza, Darlan... mais quem?
Breno, Kaio, Cristiano,
São nomes próprios também?

Porque o nome da semente
E da planta “jatobá”
É nome comum, enquanto
Que “Fazenda Jatobá”,
“Rua Jatobá” são próprios,
Quando nomes de lugar?

Corumbá é nome próprio?
É nome próprio Ladário?
Será que são nomes próprios
“gato”, “feijão” e “fichário”?
Citem uns comuns e próprios
Listados no dicionário...

É nome próprio famoso
A morraria Urucum!
Mas “colorau”, o corante
Que vem da planta “urucum”
Embora sejam importantes,
Não são próprios: são comuns.

São, também, comuns os nomes
De quase todo objeto.
E os nomes “autonomia”,
“identidade”, “concreto”,
 Viram próprios (em maiúsculo)
Se são nomes de projetos.

Pois bem, meninada linda,
Pra conversa não alongar
Digo que são nomes próprios
Digo sem pestanejar:
“Fabiana”, “Vaz”, “Benevides”
(da professora exemplar!)


Nesta estrofe encerro os nomes
Próprios dessa criançada:
Sofia, Tiago e Wesley.
Turminha maravilhada
Por desenvolver uma proposta
Pela Faby, abraçada!

Assim, também, é meu nome:
Paulo Robson (o Paulinho),
Que reside em Campo Grande
E lhes manda esses versinhos.
Cá pra nós: na minha escola,
Eu era o tal...
“Baianinho”.


Paulo Robson de Souza
26.10.2018


Frutos e sementes de jatobá.


sexta-feira, 19 de outubro de 2018

SOBRE A NATUREZA DO TEMPO


(em parceria com o poeta Sidnei Olívio*)




Lento: 
Tempo. 
Vida. 
Lida. 


Tempo.... vida... LIDA... tempo... 


ÁGUA. 
Lago. 
Hidro. 
Vida. 


Vidro: 
Tempo ido: 

Anidro. 


Cada minuto que passa 
no tempo que se percebe 
cai no lago que se bebe 
e no tempo se disfarça. 
Se pusermos uma mordaça 
n’água que de si escorre 
nem assim o tempo morre 
ou sequer se evapora... 
– O tempo morre na hora 
em que a vida se estilhaça? 


A vida encerra o momento 
– tempo de reproduzir, 
lida de restituir, 
nas vidas, o pensamento... 
Cada segundo: um momento. 
Cada momento segundo 
indo pro lago fecundo 
é, na verdade, o primeiro 
filho do pai derradeiro 
– eterno renascimento. 


A vida é como uma vidraça 
que brilha... guarda... que embaça... 
Quem sabe seja uma taça 
sorvendo o tempo que passa... 
Ou talvez uma barcaça 
de vidro sobre o profundo 
lago que contém o mundo... 
O que sei vale por ora: 
o tempo escorre na hora 
em que a vida se estilhaça. 


Veio da água 
a vida veio 
e até hoje se mantém 
um veio d água 
veia via vida 
contém 
a vida ávida de água 
a água cheia 
cheiro chuva 
de vida. 


O tempo é um cometa ultra-sônico 
relâmpago diário/pêndulo a jato 
difícil manter-se nas horas 
sorver os minutos 
gota 

gota 
na maré da vida. 
Num ritmo alucinante 
os anos passam, a idade... 
término-início tão inseparáveis 
que é quase impossível distinguir 
aurora e crepúsculo 
neste sonho real. 

10 
Quem pode medir o tempo 
pela régua do destino? 
Quem, senão o autor divino 
pai das águas e do vento 
criador do firmamento 
fabricante genuíno 
de um sistema pequenino 
que rege todo o universo 
comprovado em prosa e verso 
chamado renascimento? 

11 
Quem medirá o calor 
e a luz do quinto elemento 
que percorre o firmamento 
dos olhos do trovador 
no sopro do criador 
– fabricante genuíno 
de um sistema pequenino 
(molecularmente imerso) 
que rege todo o universo 
contido em todo menino? 

12 
Os tempos que estão na Terra 
são água em outros planetas. 
É no núcleo dos cometas 
que o tempo em gelo se encerra. 
Liquefaz-se quando enterra 
seu semblante na latência 
dos mundos em coexistência 
– eterno derramamento. 
O tempo e os seus comprimentos 
dependem da consciência. 

13 
É na soma de momentos 
que o tempo se faz senhor. 
O desprezível vapor 
que desce do firmamento 
é soma e desprendimento 
preenchendo o mais vazio 
leito com seu poderio, 
derramando-se em três planos. 
A gigantez do oceano 
depende dos tortos rios. 

14 
São gotas d’água que marcam 
o tempo dentro da gente 
e a seca e também a enchente 
e a alegoria da arca. 
O tempo é o ente que abarca 
tudo e todos em um maço, 
feito a matéria do abraço. 
Sei que em cada nascimento 
repete-se o grão momento: 
tempo-vida... tempo-espaço. 



_______________

* Poema sem tempo-espaço (em construção). 

Autores:
Paulo Robson de Souza, Campo Grande, 1998 / 2002.
Sidnei Olívio, São José do Rio Preto, 2002. 

Publicado originalmente em Usina de Letras (julho de 2002)



quinta-feira, 11 de outubro de 2018

DAQUI A CEM ANOS




Cordel baseado em trechos da crônica
Atento à delicadeza da vida”, do Frei Betto 
(que tive acesso via whats app).

Para Claudio Vereza.



                        Na jornada para dentro
                        Da subterrânea mente
                        Revolver o chão canteiro
                        E esperar pela semente
                        Terna, pura, indescritível,
                        Que Deus deixou para a gente...




Diz o poeta da prosa
(Que aqui cito com rigor ─
O filósofo Frei Betto)
Que o incontestável amor
É sempre terno; é eterno...
E que o Outro é o fundador
Da mais certa identidade;
Semente que sai da flor.

E que daqui a 100 anos
Toda pressa será só
Inútil mudez no tempo ―
Porque o Tempo não tem dó ―
Seremos só deslembranças;
Corpos mudos; puro pó...

Findo um século seremos
Bactérias, o fermento...
Flor num campo sem colheita...
Flauta na boca sem vento...
Transmutada natureza...
E do réptil, alimento...

Nós temos bilhões de anos
Nesse transmutar, imersos.
“Eu existo, coexisto,
Subsisto em Universo”
Diz o poeta da prosa;
Eu confirmo aqui, em versos.

De fato, na entropia
Não existe um outro plano:
Logo, ao pó retornaremos ―
Átomos, matéria nano... ―
Ao morrer seremos gotas
Indistintas do oceano.

Mas, então, o que fazer
Ante a certeza do fim?
Recatar ansiedades
Ao se cuidar de um jardim
Pois a pressa é dos que morrem
Sem se anteverem capim.

Enxergar delicadezas
Da vida sempre a florir
Antever, daqui a cem anos
Uma criança a sorrir
Por ter colhido uma flor
No que sobrou do existir.

        (No recôndito do espírito
        Tudo, tudo é liturgia:
        A janela aberta ao vento...
        A manga que doura o dia...
        O mistério do momento
        Que o verbo se faz poesia...)

Olhar para nuvens prenhes
Se o corpo se faz deserto...
Esperar pela semente...
Ser canteiro descoberto...
Pois, exceto Deus ― morada
Terna do amor ― e mais nada
Dura pra sempre, decerto.

Paulo Robson de Souza
Da série Poesia Todo Dia! 22.1.2018


quarta-feira, 5 de setembro de 2018

CIRANDINHA DA MARIPOSA




Autores: Adriano Praça (melodia) e 
Paulo Robson de Souza (letra). 
Intérpretes: Angélica Jado Chagas (solo), 
Mariana Arndt e Carol Marques (coro).




Tem bichos que dependem
muito dos cheiros que sentem.
O olfato para eles
é como os olhos da gente.

Nem todos têm nariz...
Para por fim ao problema
os insetos, por exemplo, 
sentem o cheiro nas antenas.

O “rei” em perceber
o cheiro (ou será fedor?)
tem um nome bem real: 
mariposa-imperador.

Se vai se acasalar
o macho sente a parceira
a duas léguas de distância
mesmo se pouco ela cheira.

Porque é preciso um par
para poder cirandar,
no céu, procurando a fêmea,
meia volta ele vai dar.


(clique na imagem para ouvir)



Do livro
Animais Mais Mais” — música, poesia e muito mais (com CD encartado)
Paulo Robson de Souza, Editora Sterna, 2011


A SEGUNDA MORTE DO CAVALO PANTANEIRO






Reprodução de imagem de vídeo





Triste incêndio.
Dos mais tristes que assisti.
Porque leva nacos do coração da gente, de tantas gentes, de tantas gerações
De tantos países…
Da “Eva brasileira” calcinada não falarei
(Pois Janet colheu palavras certeiras e límpidas
Para seu poema A Última Morte de Luzia).
Das libélulas do Luiz Onofre Irineu de Souza não falarei, para não sofrer mais.
Nem dos cocares
E outros objetos ameríndios pretéritos, irrecuperáveis.
Nem (falarei) da morte dos outros
20.000.000
Testemunhos materiais depositados no Museu Nacional.
Tesouros desses que o dinheiro não paga
Pois que eram parte da nossa história, dos nossos primeiros povos,
Eram marcas da evolução de nossos bichos e plantas,
Da nossa ciência;
Eram a cristalização, aos nossos olhos, do tal “valor incalculável”.  
Mas (de coração partido!) preciso falar do “meu” cavalinho.
Nosso Equus vandonni. O cavalo de Vandoni*.
Salvo alguma milagrosa providência que desconhecemos, também virou cinzas o único fóssil do que eu carinhosamente chamava (nas palestras para a criançada) de "o verdadeiro cavalo pantaneiro", já que esse “Écus” viveu há 18.000 anos ou mais, na região onde hoje se localiza Corumbá, enquanto que a raça “cavalo pantaneiro” é muito mais recente: descende de animais desgarrados das tropas trazidas pelos colonizadores espanhóis a Assunção.
O cavalo de Vandoni tinha quase o tamanho de uma capivara. Diferentemente dessa, imagino, devia ser colorido, saltitante e corredor, como (deveriam ser) todos de sua família.  Dele – e graças a ele – fiz poema dos mais queridos pelas crianças entre os do meu repertório, talvez até pelo título convidativo, Montando Versos.
Infelizmente, o único testemunho material que tínhamos desse cavalinho serelepe – um crânio tomado de inquietudes ferruginosas do rio Paraguai, de onde foi retirado em 1974 pelo pescador Jerônimo Borges dos Santos – e os demais itens agora calcinados, não eram meramente peças de museu. Eram sentimentos.
Da série Poesia Todo Dia!

Paulo Robson de Souza - 3.9.2018



__________________

* Nome científico em homenagem ao Dr. Gabriel Vandoni de Barros, diretor do Museu Regional de Mato Grosso que doou o material descoberto ao Museu Nacional em dezembro de 1974, segundo a página Dinos Virtuais http://www.latec.ufrj.br/dinosvirtuais/catalogo/equus_vandonii.html

terça-feira, 28 de agosto de 2018

ESSE FRIO METAL




Melodia: Zeca do Trombone
Letra: Paulo Robson de Souza
Harmonização: Mestre Galvão



(Introdução: E  Gb6   Am9   B9#  E9   B7b9)


E9
Inerte e mudo, esse frio metal
   Gb6                      
Deitado em um case sepulcral,
          Am9   Am6
Para ter vida,
             B9# B7b9
Um sopro me clama.

E
Meu beijo quente no frio bocal
Gb6                          G6       Ab6
A inspiração (sopro divinal)
     Am9        Am6  
E a campana a vibrar
         B9#           B7b9
Lhe devolvem a vida, afinal.

        E9
E então
Gb6         Ab6
O milagre se fez
      C#m/E
Nunca mais
               Bm6/E      E9
Me separei do amigo.



(solo de trombone: A7 Am7  Abm7  Db7b9 
Gb6 Gbm7 F7#9)


E9
Desde então foi um carnaval
Gb6
Manaus, Campo Grande e Montreal
Am9                  Am6 
Em San Francisco, em Austin e Madrid,
      B9#            B7b9
No Cerrado e no Pantanal


E
Foi então
Gb6      G6   Ab6
Milagre:
       Am9     Am6
Desse som
                B9#    B7b9             
Não mais me separei.


E
Música
Gb6          G6  Ab6
Trombone
            Am6  B9#  B7b9
Sempre pra mim
             E       B7b9    E     E9     E 
Meu grande amor.


E9
Era uma vez esse frio metal...
______________________________


(CLIQUE NA IMAGEM PARA OUVIR)

https://www.youtube.com/watch?v=sNpp7cljeZs