quinta-feira, 25 de outubro de 2012

SABIÁ LARANJEIRA



(Xote Nordestino) 
Letra: Paulo Robson de Souza
Música: Marco Antonio Carstens Mendonça
Intérprete: Marco Antonio (voz/ violão)
Zabumba: Áttila Gomes
Flauta transversa: Adriano Praça
Triângulo: Paulinho




(Refrão)

Deixa eu ser seu sabiá
Laranjeira
Nos seus galhos aninhar
Deixa eu cantar pra você
Laranjeira
Deixa eu ser seu sabiá


A chuva grossa marca o tempo no terreiro
Misturando-se ao tempero
Cheiro bom de Salvador.
Beijo minha boca com bolinho de estudante
Uma dança cintilante
Com você tem mais calor.


(Refrão)
Deixa eu ser seu sabiá
Laranjeira
Nos seus galhos aninhar
Deixa eu cantar pra você
Laranjeira
Deixa eu ser seu sabiá


A lua brilha entre os pingos, nova lua
E sorri na boca sua 
Ao lamber o seu sabor.
E desce um doce acanelado dos sorrisos...
São Diogo – forte antigo –,
Protegei-me desse amor.


(Refrão)
Deixa eu ser seu sabiá...



(clique na imagem para ouvir)
"Mosquito" distribuído na entrada do teatro.


(Canção vencedora do Primeiro Festival de Música do Sicredi Federal - 
Teatro Glauce Rocha, Campo Grande, 28 de outubro de 2005)

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

BAIÃO DO BICHO DESCONHECIDO


Música: Eduardo Boaventura
Letra: Paulo Robson de Souza
Intérprete: Eduardo Boaventura




Quem nunca quis enxergar,
quem nunca soube aprender
não sabe o que está perdendo
nem o que vai se perder.

Há maravilhas no mundo
– mesmo um pequeno besouro –
riquezas vivas trocadas
por um punhado de ouro.
Nas dunas, mangues, caatinga,
matas, serras, pantanais,
há sempre desconhecidas
maravilhas animais.

Quem nunca soube enxergar,
quem nunca quis aprender
não sabe o que está perdendo
nem o que vai se perder.

Mas...
mais?
Mais mais!
Mais e mais
e muito mais...





Do livro Animais Mais Mais 
(com CD encartado), 2011
Publicado na Ciência Hoje das Crianças número 235


Clique na figura abaixo e ouça a música no site da revista Ciência Hoje das Crianças



terça-feira, 23 de outubro de 2012

BALADA DO BEIJA-FLOR


Música: Marcus Dinis Câmara
Letra: Paulo Robson de Souza

Intérpretes: 
Hugo Roberto da Silva Carneiro e 
Marcus Dinis Câmara 




Tão pequenino,
tão contente, tão veloz
bate o avoado
coração.

Toda uma vida
        sedenta de flor
dentro da palma
da mão.

O tempo a se apressar.
Um corpo em condensador.
Uma bala de luz no ar
é o beija-flor.

Feito um menino
cansado de andar,
dorme o pequeno
coração.

Toda uma vida
em pleno torpor,
quando chega
a escuridão.







(clique na imagem para ouvir)






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Do livro Animais Mais Mais 
(com CD encartado), 2011



segunda-feira, 22 de outubro de 2012

VALSA DA FORMIGA


Música: Júlio Feliz
Letra: Paulo Robson de Souza
Intérprete: Angélica Jado



  

Qual será, do mundo,
o animal mais forte,
que sua própria sorte
pode sustentar?

Que mistério é esse?
– erguer um colosso
por sobre o pescoço
sem se esforçar?

Um pequeno inseto
que, magro ou obeso,
dez vezes o seu peso
pode levantar...

A formiga vence
proporcionalmente,
qualquer oponente
que lhe enfrentar?





(clique na imagem para ouvir)




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Do livro Animais Mais Mais 
(com CD encartado), 2011







domingo, 21 de outubro de 2012

CANÇÃO DA PULGA



Música: Marco Antonio Carstens Mendonça
Letra: Paulo Robson de Souza
Intérprete: Melissa Azevedo



São motivos “anormais”
que fazem a pequena pulga
ser um inseto demais.

Ah! Se pulga fosse gente,
um salto de três mil metros
seria o correspondente!

E por ser tão achatada,
se mete por entre os pelos
da infeliz cachorrada.

Ah!, se cachorro soubesse
se “despulgar”, saberia
tomar banho todo dia.

E se cão fosse um possante
carro, a pulga então seria
o mais feliz viajante.

E se a vida (entre suspiros)
fosse um filme de terror,
pulga seria o vampiro.

É bem mais forte que a Mônica:
a pulga que vem do rato,
causa a peste bubônica.

É um bichinho exigente:
o que vive no cachorro,
não vive em gato ou na gente.

E a pulga que dá no gato,
não quer saber de cachorro
nem dá nos bichos do mato.

A pulga mais diferente
é o bichinho que se enfia
no dedão do pé da gente!

Bem depois, feito um canhão
gorducho, sai atirando
seus ovinhos pelo chão,

que ficarão na sujeira,
sonhando em dar nos meus pés
a mais forte das coceiras.






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Do livro Animais Mais Mais 
(com CD encartado), 2011






domingo, 7 de outubro de 2012

O CHORO DO TUBARÃO-BALEIA


 

Música: Adriano Praça e Orlando Brito
Letra: Paulo Robson de Souza
Intérprete: Áttila Gomes




De que adianta ser, de longe, o maior peixe,
um tubarão com esse porte de espantar,
se, mesmo assim, você em mim não bota os olhos
só porque domo a brabeza, o tal desejo de esganar?

De que adianta esse meu corpo azul, pintado
de bolas brancas – lindo céu da noite escura –
se não recebo a atenção que eu mereço?
– Sem o olhar não existe céu e sem a luz não há pintura!

Vou trucidar, no oceano, minha timidez,
rasgar o ventre que alimenta o meu penar
pra que revele toda a minha intimidade
e desse jeito me conheça e até consiga me amar.


                                                               (clique no tubarão para ouvir)





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Do livro Animais Mais Mais 
(com CD encartado), 2011


sábado, 6 de outubro de 2012

A MARCHA DO AVESTRUZ (com partitura)



 

Música: Adriano Praça
Letra: Paulo Robson de Souza
Intérprete: Attila Gomes





Estava
numa savana
quando tremeu a terra africana.
Pensei:
é um furacão!
– tão grande era o poeirão.

Um bando
de avestruzes
passou por mim feito Joaquim Cruz.
Corria
soltando penas
lembrando os tempos de Ayrton Senna.

Pensei
que eram leões
correndo atrás daqueles frangões,
pra ter
uma fritada
das coxas que já vêm depenadas.

Que nada. Estava enganado.
Era uma dezena de homens malvados
maltratando o mundo animal.

Que pena! Que triste cena:
faziam enfeites de vivazes penas.
Um estranho carnaval.

E vendo, nesta folia,
que a alegoria não tinha alegria,
a marcha encontrou o seu final.






(Clique na imagem para ouvir)





(Clique na imagem abaixo para obter, gratuitamente, a partitura da música)




(com CD encartado), 2011


Capa (aberta) e segunda orelha

sábado, 29 de setembro de 2012

FREVO DA CAPIVARA



Música: Adriano Praça
Letra: Paulo Robson de Souza
Intérprete: Áttila Gomes




A capivara é o maior dos roedores.
Eu não pensava que nadasse tanto assim.
Seu nome indígena me conta muita coisa,
pois  caapii gûara  é “a comedora de capim”.

É tão bonito vê-las nadando em fileira,
entre mergulhos... Indo ao pasto... É tão bonito
sentir o grupo unido contra o perigo
e a capivara-sentinela dando um grito.

Dá gosto ver, ao fim da tarde, na lagoa,
as capivaras dentro d’água namorando...
Os passarinhos catando os seus carrapatos...
O velho líder, quatro filhotes mamando...

A capivara é o maior dos roedores
e é muito mais para quem estuda a sua vida.
De certo modo é o mais mais dos animais...
Quanta beleza pela noite escondida!





                       (ligue o som e clique na imagem abaixo para assistir ao vídeo)



                       (clique na imagem abaixo e obtenha, gratuitamente, a partitura)






(com CD encartado), 2011


sábado, 22 de setembro de 2012

PAPO DE CIENTISTA SOBRE BEIJOS E BORBOLETAS AZUIS



Quanto tempo de ciência será
preciso
para sabermos da cor e do tom a que nos referimos?

Cálculos probabilísticos indicam:
há abraços azuis
quando se olha para o céu
no abraço
– num longo abraço.

Beijos azuis existem sim. Na física, na fisiologia e na poesia.
Menos frequentes porém; pois o que se vê
com um beijo
é o vermelho
da retina comprimida
pela emoção.
Vermelho-sangue. Vermelho-lábio. Vermelho que só o desejo sintetiza.

Fisicamente falando,
ao se considerar que o fogo vermelho
tende ao azul quando se aumenta a temperatura,
é provável que um beijo de fogo
possibilite a sensação do azul.
Cor fria na aparência,
mas que na medida certa faz-nos ver estrelas.
Então está combinado: beijo azul só se for profundo.
Azul profundo cravejado de estrelas – o mesmo vale para abraços.




Já borboletas azuis
são como fadas: nascem de crisálidas encantadas
pela cor
do frescor da manhã
e pelas possibilidades do que virão a ser.

Temo pela borboleta azul
incrustada na pele,
em ponto íntimo de mulher dengosa, quiçá imperscrutável (o ponto ou a     
                                                                  [mulher?).
Mas quem a capturou me promete:
quando me conhecer... eu te mostro”.

Assim continuarei meus estudos sobre beijos e borboletas azuis.
Mais precisamente:
sobre um beijo profundo em uma borboleta azul-cutâneo.


(Paulo Robson de Souza, 2007)

domingo, 2 de setembro de 2012

O RIO


Rio Verde com buritis (nordeste do MS).
Foto: Elisabeth Arndt



Sim! Diz a filosofia
que se o tempo sempre passa
e a água escorre sem fim,
um rio nunca é o mesmo
se visto depois, por mim.
Mas, pra mim é o mesmo rio
porque porta o poderio
de parar o tempo, enfim.


(trecho de cordel sobre o Dia do Rio Paraguai,  em Cáceres)