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segunda-feira, 24 de julho de 2017

LILICA

Letra e música:  Paulo Robson de Souza


Chegou em casa e fez
de mim história de amor...
O seu silêncio mais
falava
no seu corpo
no pulsar
no calor...

Bastou um afago, um sim, 
um dengo, um olhar... Gemer
no descansar do som
pra sua vida,
o seu ventre oferecer
a mim.

A vida é sonho e diz
que fica o que se dá e se percebe...
Da vida, um sonho diz
que dura o dom que se recebe
na mente.

Grande ilusão
voltar pra aonde o tempo não vai mais estar...
Lilica, onde estará você?

Lilica... Onde estará?

(solo)

Chegou em casa e deu
o amor todo... Incondicional
Quis ser amada e amar
de um jeito
quase gente
quase deusa
quase animal.

Hoje a saudade tem
morada neste velho ser...
Hoje o silêncio diz
que o meu silêncio
é a pura voz
do não dizer...


A vida é sonho e diz
que fica o que se dá e se percebe...
Da vida, um sonho diz
que dura o dom que se recebe
na mente.

Grande ilusão
voltar pra aonde o tempo não vai mais estar...
Lilica, onde estará você?

Lilica... Onde estará?


O dom de amar por amar...


       (falado)
Como eu queria voltar (!)


No tempo...




(julho de 2017)

sábado, 16 de fevereiro de 2013

ACORDEI SEM VER A LUA




Buscava
certas palavras
que fossem
as mais bonitas
e raras
e preciosas.

Buscava
canções perfeitas
que fossem
inesquecíveis
e raras
e preciosas.

Sonhava
o torpor das estrelas
e a luz que irradia
de uns vermes do mar.
Buscava
alcançar o intangível.


(janeiro de 2005)

sábado, 22 de setembro de 2012

PAPO DE CIENTISTA SOBRE BEIJOS E BORBOLETAS AZUIS



Quanto tempo de ciência será
preciso
para sabermos da cor e do tom a que nos referimos?

Cálculos probabilísticos indicam:
há abraços azuis
quando se olha para o céu
no abraço
– num longo abraço.

Beijos azuis existem sim. Na física, na fisiologia e na poesia.
Menos frequentes porém; pois o que se vê
com um beijo
é o vermelho
da retina comprimida
pela emoção.
Vermelho-sangue. Vermelho-lábio. Vermelho que só o desejo sintetiza.

Fisicamente falando,
ao se considerar que o fogo vermelho
tende ao azul quando se aumenta a temperatura,
é provável que um beijo de fogo
possibilite a sensação do azul.
Cor fria na aparência,
mas que na medida certa faz-nos ver estrelas.
Então está combinado: beijo azul só se for profundo.
Azul profundo cravejado de estrelas – o mesmo vale para abraços.




Já borboletas azuis
são como fadas: nascem de crisálidas encantadas
pela cor
do frescor da manhã
e pelas possibilidades do que virão a ser.

Temo pela borboleta azul
incrustada na pele,
em ponto íntimo de mulher dengosa, quiçá imperscrutável (o ponto ou a     
                                                                  [mulher?).
Mas quem a capturou me promete:
quando me conhecer... eu te mostro”.

Assim continuarei meus estudos sobre beijos e borboletas azuis.
Mais precisamente:
sobre um beijo profundo em uma borboleta azul-cutâneo.


(Paulo Robson de Souza, 2007)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

CHUVA NUNCA É ÁGUA PURA





                     Quando o céu põe-se a fluir,
                     desce um cheiro gostosinho,
                     raios, gotas de bolinhos,
                     barulhinho de dormir...



(2005)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

TECLANDO



Ah! Se soubesses quanto bem me faz
quando me buscas, me sorri, me quer...
Quando me tens e, mesmo assim, quer mais
ao envolver-me, lânguida mulher.

Ah! Se soubesses quanto bem existe
nesse desejo róseo nos teus seios...
nessa risada alçando um homem triste...
o teu beijinho ao fim de cada mail...

Esse teu dengo, teu olhar dourado
esse mistério sob a seda escura
esse teu medo de dizer-me: “amado”

e as brincadeiras feitas no teclado
— de gato e rato, sensações tão puras —
ainda vão deixar-me avariado.

(2007)

sábado, 24 de dezembro de 2011

CEL



Ultimamente
tenho olhado para o céu
tentando ouvir estrelas
à procura de poesia.

Mas não me bastam os sons que ouço
o cintilar que vejo
o odor de estrelas que nascem
nem o vento que toca
a pele nua dos meus frágeis ombros.

Quero o calor que se esconde
em algum canto
de todas as noites estreladas e frias
de maio.


(maio de 2000, sobre poema de Castro Alves)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A BALSA


Escorpião sob nossas cabeças

numa noite fria sobre o rio Paraguai.
Uma mulher de cabelos longos e negros
contempla o horizonte.

A lua se fecha a oeste.

Na barranca do rio
– pressinto –
uma lontra perpassa a linha branca
que delimita o líquido horizonte.

Espumas que bocejam...

Rostos adormecidos...

Curiangos beijam com seus lábios úmidos
o áspero alimento.

Na minha boca adormece
a indizível palavra.

O sono.
O sonho.
A vida segue seu ciclo.


(junho 1997)