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terça-feira, 10 de agosto de 2021

A PEQUENINA DAS FRUTAS com Joice Terra


Intérprete: Joice Terra
Melodia e arranjo: Paulo Robson de Souza
Violão e direção Musical: Mestre Galvão

Do e-book "Poesia INvertebral: nicho semiótico = Invertebral poetry: semiotic niche", com Sidnei Olivio e Paulo Robson de Souza, versão para o inglês de Arnildo Pott (Amazon.com), editoração André Morato



#invertebrates #invertebrados #insecta #musicabrasileira #poesia #poesiainvertebral  #ensinodebiologia #ensinodeciencias #musicainfantil #Drosophilidae #Drosophila #insetos #mosquinha #diptera #dípteros #ufms #inbio

sábado, 15 de fevereiro de 2020

ANIMAIS MAIS MAIS (enfim!) NAS PLATAFORMAS DE MÚSICA



Quase 9 anos depois de lançado o livro com CD encartado (com apoio do Fundo de Investimentos Culturais/MS) e  16 (dezesseis!) anos de gravadas as respectivas composições, o álbum ANIMAIS MAIS MAIS foi lançado hoje no Spotify, Deezer, Google Play, iTunes e várias outras plataformas internacionais de música. 

São 15 músicas autorais sobre os recordes animais (letras minhas, melodias de vários amigos músicos e compositores especialmente convidados - ver ficha técnica abaixo). Infelizmente, não pude disponibilizar os seis "karaokês" do CD original. 

Há músicas feitas para o carnaval (Samba da Piranha, Frevo da Capivara, Marcha do Avestruz, Marchinha do Pinguim), para a criançada cantar (Balada do Beija-Flor, Canção da Pulga, Cirandinha da Mariposa, Polca da Tartaruga), músicas boas para amar essas maravilhas da natureza (Xote da Salamandra-Gigante, O Choro do Tubarão-baleia etc) e para ensino de biologia (todas!).

Clique no link para ouvir! 

https://open.spotify.com/album/530JlH36A10jFSxqJQFFHV






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ANIMAIS MAIS MAIS 

Ficha Técnica*

O CHORO DO TUBARÃO-BALEIA 
Música: Adriano Praça e Orlando Brito 
Letra: Paulo Robson de Souza 
Voz: Áttila Gomes 
Arranjo e produção: Regional de Choro Agemaduomi 
Violão de seis cordas: Heitor Correa e Orlando Brito 
Flauta transversal, clarinete (arranjos): Adriano Praça 
Cavaquinho: Marco Antonio Carstens Mendonça 
Timba com vassourinha: Thimoteo Lobreiro 


ISRC: BX-PZU-19-00004


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ACADÊMICOS UNIDOS DO RIO (samba da piranha)
Música: Marco Antonio Carstens
Letra: Paulo Robson de Souza 
Voz, apito, surdo, ganzá, pandeiro, reco-reco e tamborim: Áttila Gomes 
Cuíca: Bibi do Cavaco 
Contrabaixo: Heitor Correa 
Violão: Orlando Brito 
Coro: Angélica Jado, Adriano Praça, Júlio Feliz, Marco Antonio Carstens, Áttila Gomes e Paulo Robson 
Solo de cavaquinho para a versão karaokê: Marco Antonio Carstens 
Gravação de sons de peixes: Paulo Robson 
Arranjo, cavaquinho, produção: Marco Antonio Carstens Mendonça 


ISRC: BX-PZU-19-00005   



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A Canção Fatal (tango do peixe-pedra) 

Música: Denis Arndt 
Letra: Paulo Robson de Souza 
Voz: Anderson Rocha 
Arranjo base: Otávio Neto 
Violinos: Anderson Rocha 


ISRC: BX-PZU-19-00006



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FREVO DA CAPIVARA 

Música: Adriano Praça 
Letra: Paulo Robson de Souza 
Voz: Áttila Gomes 
Sax tenor e sax barítono: Maestro Assis 
Trompete: Escobar 
Trombone: Moisés Nogueira 
Caixa-clara: Thimoteo Lobreiro 
Guitarra e contrabaixo elétrico: Orlando Brito 
Registro da vocalização da capivara: Paulo Robson 
Arranjo, sax alto, produção: Adriano Praça 


ISRC: BX-PZU-19-00007



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CIRANDA DA NOITE 

Letra e música: Paulo Robson de Souza (refrão sobre ciranda pernambucana de domínio público) 
Voz: Fernanda Ribeiro Benites 
Caixa-clara: Thimoteo Lobreiro 
Surdo: Áttila Gomes 
Violão: Marco Antonio Carstens Mendonça 
Coro: Angélica Jado, Elisabeth Arndt, Julio Feliz, Camila Arndt, Paulo Robson Gravação de sons de morcegos: Paulo Robson 
Batidas com os pés: alunos dos cursos "Técnico de Enfermagem" e "Técnico de Laboratório" 2004 (CCBS - UFMS, atual Inbio) 


ISRC: BX-PZU-19-00008



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O FADO DA BALEIA-AZUL 

Música: Marco Antonio Carstens Mendonça 
Letra: Paulo Robson de Souza 
Voz: Paulo Calado 
Bandolim: Alexandre Erecê Figueiredo Pacheco (gravação: Estúdio Kaoma, Rio de Janeiro) 
Solo de cavaquinho para a versão karaokê: Marco Antonio Carstens 
Violão, arranjo, produção: Marco Antonio Carstens Mendonça 


ISRC: BX-PZU-19-00009


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BAIÃO DO BICHO DESCONHECIDO 

Música, voz e vocal: Eduardo Boaventura 
Letra: Paulo Robson de Souza 
Produção, arranjos, gravação e mixagem: Cyro Telles 
Violão e teclados, programação de percussão: Cyro Telles 
Rearmonização: Alexandre Guichard 


ISRC: BX-PZU-19-00010



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VALSA DA FORMIGA 

Música: Júlio Feliz 
Letra: Paulo Robson de Souza 
Voz: Angélica Jado Chagas 
Flauta: Adriano Praça 
Arranjo e produção: Júlio Feliz 


ISRC: BX-PZU-19-00011



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A MARCHINHA DO PINGUIM 

Música: Marco Antonio Carstens Mendonça, Júlio Feliz e Paulo Robson 
Letra: Paulo Robson de Souza 
Voz e surdo: Áttila Gomes 
Caixa-clara: Julinho Batera 
Tuba e clarinete (teclado): Otávio Neto 
Apito: Júlio Feliz 
Coro: Marco Antonio Carstens, Adriano Praça, Júlio Feliz e Paulo Robson 


ISRC: BX-PZU-19-00012



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XOTE DA SALAMANDRA-GIGANTE 

Música, voz e vocal: Eduardo Boaventura 
Letra: Paulo Robson de Souza 
Produção, arranjos, gravação e mixagem: Cyro Telles 
Violão e teclados, programação de percussão: Cyro Telles 
Rearmonização: Alexandre Guichard 
Música incidental: "Samba Lelê" (do cancioneiro popular brasileiro)
Gravado em outubro de 2004 nos estúdios da Casa de Pedra, Gávea, Rio de Janeiro 


ISRC: BX-PZU-19-00013



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CIRANDINHA DA MARIPOSA 

Música, arranjo, flautas, voz (barítono) e produção: Adriano Praça 
Letra: Paulo Robson de Souza 
Solo vocal: Angélica Jado Chagas 
Guitarra: Orlando Brito 
Cello: Eduardo Martinelli
Violinos: Edison Verbisck 
Flauta doce: Paulo Robson 
Coro infantil: Carol Marques e Mariana Arndt 
Música incidental: "Ciranda, cirandinha" (do cancioneiro popular brasileiro)


ISRC: BX-PZU-19-00014


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POLCA (UM QUASE CHAMAMÉ) DA TARTARUGA (em "portunhol") 

Música, arranjo, produção: Adriano Praça 
Letra: Paulo Robson de Souza 
Vozes: Carlos I. Gonzales e Ricardo Ayub 
Violões e contrabaixo: Orlando Brito 
Acordeons: Tião César 


ISRC: BX-PZU-19-00015



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A MARCHA DO AVESTRUZ 

Música: Adriano Praça 
Letra: Paulo Robson de Souza 
Voz e surdo: Áttila Gomes 
Caixa-clara: Thimoteo Lobreiro 
Trombone: Moisés Nogueira 
Violão e contrabaixo elétrico: Orlando Brito 
Arranjo, saxes altos, produção: Adriano Praça 


ISRC: BX-PZU-19-00016



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BALADA DO BEIJA-FLOR 
Música e voz: Marcus Dinis Câmara 
Letra: Paulo Robson de Souza 
Vocal: Hugo Roberto da Silva Carneiro 
Baixo, bateria, violão, guitarra, teclado e produção: Marcus Dinis Câmara 


ISRC: BX-PZU-19-00017


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CANÇÃO DA PULGA 

Música: Marco Antonio Carstens Mendonça 
Letra: Paulo Robson de Souza 
Intérprete: Melissa Azevedo 
Voz: Anderson Rocha
Flauta doce, clarinete: Adriano Praça 
Flauta de êmbolo, lixas: Júlio Feliz 
Coro: Isabella Knoch Mendonça, Paula Knoch Mendonça e Gleyce Kelly Santos Vianna 
Flauta para a versão karaokê: Adriano Praça 
Violão, arranjo, produção: Marco Antonio Carstens Mendonça


ISRC: BX-PZU-19-00018


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*
* Exceto "Baião do Bicho Desconhecido", "Xote da Salamandra-gigante", "A Canção Fatal" e o solo de bandolim de "O Fado da Baleia-azul", as músicas foram gravadas no Estúdio JFeliz (Campo Grande/MS), em outubro de 2004. 
Técnico de gravação: Marcus Dinis Câmara 
Direção musical, arregimentação: Marco Antonio Carstens Mendonça e Adriano Praça 
Restauração, mixagem e masterização: Anderson Rocha/Estúdio 45 
Pós-produção: Ângela Finger 

#musicaautoral #MPB #musicabrasileira #ensinodebiologia #ensinodeciencias #recordesanimais #carnaval #brazilianmusic #ocacuadopaulorobson

domingo, 4 de março de 2018

AUDIOLIVRO "POESIA ANIMAL" PARA DEFICIENTES VISUAIS



Projeto LIVROS QUE FALAM 

Livros falados gravados no estúdio da audioteca do ISMAC, com a produção técnica realizada por Orlando Brito como editor responsável e Carlos Henrique da Luz, sob a supervisão de Telma Nantes de Matos.

                  Título: Poesia Animal
                  Autor: Paulo Robson de Souza
                  Ledora: Gladis Linhares 

Coletânea de autores sul-mato-grossenses 2008
Realização: Instituto Sul Matogrossense para Cegos Florivaldo Vargas - ISMAC


Para obtê-lo, clique na imagem.




"O audiolivro é uma maneira de democratizar a literatura para deficientes visuais, mais prática e econômica do que o Braille. Desde 2006 o projeto Livros que Falam idealizado pelo Ismac, recebe o patrocínio da Petrobrás por meio do programa Desenvolvimento e Cidadania.  A entidade possui sala de produção, audioteca e equipe de editores de áudio cegos que foram formados nos cursos realizados na entidade. 
O projeto que já transformou vidas tem como objetivo facilitar o acesso ao acervo da biblioteca Nazareth Mendes, sediada na instituição, diversificando a quantidade de livros em Braille e disponibilizando livros falados gravados em CDs. A ação garante a democratização do acesso à cultura, à educação, informação e à qualificação profissional para as pessoas com deficiência visual."  

Fonte: Instituto Sul Mato Grossense para Cegos  Florivaldo Vargas (Ismac)
http://www.ismac.org.br/conteudo/39/livros-que-falam

#audiolivro
#deficientesvisuais
#poesiafalada

terça-feira, 18 de julho de 2017

MAL-ENTENDIDOS?





Urutu, cobra bendita
pela cruz que tem na testa.
De dia dorme, medita...
e de noite faz a festa.

Tendo um cruzeiro na testa,
ela é linda como a luz
desde que se fuja desta
como o diabo da cruz.

Urutu, cobra marcada,
é bonita de se ver
ou maldita, essa malhada,
se te bota pra correr!?

“Cabra” marcada,  se vê
detenta do nosso erro.
Traz a cruz do próprio enterro.
É marcada pra morrer.

Urutu, injustiçada
serpente, tão maculada...
linda de viver – é vida!
Linda de morrer. Decida.


                 Paulo Robson de Souza 
                 (O Livro das Cores e Formas, 2001, inédito)

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Adendo 01/4/2019:

O parceiro Raimundo Galvão musicou este poema. Clique na imagem para ouvir.




sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

ZENAIDA


A Maria Eugênia Amaral

Manhã de sol muito bonita. A pomba que recolhe ramos no chão é a cara de Dourados. Zenaida, a pomba-de-arribação, ribaçã da famosa música do Gonzaga.
Bichos têm este dom de nos fazer recordar, nos encantar, marcar lugares.
                                     Uma pomba-de-arribação recolhe ramos
                                     ao sol.
                                     Haverá ninho, filhotes,
                                     motivos pra não migrar.

                                     Zenaida, a ribaçã.
                                     Determinando o lugar.
                                     Acordando a manhã.


30.1.14

sábado, 31 de agosto de 2013

OS URUBUS SÃO LINDOS!





Tem gente que só enxerga
o que se bota na mesa
só tem olhos para o belo
se esquecendo da dureza
que é limpar toda sujeira
feita pela boniteza.
Não há feio nem bonito
nesta sábia natureza.

O que seria do mundo

se não fossem os urubus
que, para os ignorantes,
são filhos do belzebu?
Saneando, comem o feio
e o belo que deu chabu.
Se beleza não põe mesa,
sua beleza é hors-concours.


“Peraí”, você está rindo?
Já lhe explico. Calma lá!
Toda criação é bela.
Você há de concordar:
cada beleza depende
de cada jeito de olhar.
Dependendo do momento,  
ave mais bela não há!


Veja só o urubu-peba:
tem a cara matizada
predominando o amarelo,
de laranja e azul ornada.
Vendo de perto parece
por grande artista pintada.
Chamam cabeça-de-sola
essa espécie maquiada.

Urubu-peba adulto (Cathartes burrovianus)


Mais esguio e não tão preto
quanto o mais comum da lista
de urubus da minha infância
em Vitória da Conquista,
Cathartes burrovianus
fez de mim sua conquista
(é assim que ele é chamado
pelos nossos cientistas).


lembra o peba na planada
mas sua careca é vermelha
e sua nuca é azulada.
Pelo nome o bicho gosta
de uma carne mal passada.
Mas confesso que não vi
até hoje sua caçada.


Mas sua cor não é tão negra
quanto o azulado chupim.
Tem um voo tão elegante
quanto o pequeno tuim
o dito Cathartes aura
(a ciência o chama assim).
Como é bom vê-lo planar
no disco do Tom Jobim!

No Pará ele é jereba

e no Rio ele é campeiro.
Assim como o urubu-peba,
acha o morto pelo cheiro.
Acredite se quiser:
o distinto cavalheiro
gosta de comer coquinhos
saídos do dendezeiro.


Cathartes melambrotos
Tem a cabeça amarela
de uma palidez inata.
Tem nome nobre – fidalgo
mas não vive de bravatas:
na Amazônia os bichos mortos,
usando o olfato ele cata.

Quem já viu o urubu-rei

no alto céu buscando sal,
nunca mais esquecerá
dessa cena tão real
como eu vi na Bodoquena
em uma tarde sem final.
Sarcoramphus papa! Eis
o seu nome oficial.


Depois do condor-dos-andes
(que aqui não se reproduz)
é o que busca o céu mais alto
e o maior dos urubus.
Num “banquete” há hierarquia
para não virar angu:
come a carniça primeiro,
retalhando o boi zebu.

O refinado ministro
também é o mais enfeitado:
quando jovem é cinza-chumbo
quando adulto é esbranquiçado.
Tem bolotas na cabeça
e os olhos são azulados.
Talvez por se achar um rei
tem um papo exagerado.


é justamente o contrário:
parece que faltou tinta
na despensa do berçário   
pois o adulto é todo preto
mas é branco no fraldário.
Em termos de quantidade
ele é o mais ordinário.

Tão numeroso, parece
batalhão de infantaria
a enfrentar, nos lixões,
carniças e porcarias.
E Coragyps atratus
– ave de grande valia –
é o seu nome de guerra
nos livros de biologia.


Ah! Nos céus da caatinga
dá uma confusão danada:
há um gavião escuro
com barras acinzentadas                  
na sua cauda elegante
como se sinalizada.
É um pássaro? Um avião?
Um urubu na caçada?


Ele é um grande imitador
do planar de um urubu...
Ele é o "super" caçador,
pois assim não espanta a presa
– mimetismo de valor.
Gavião sem-vergoinha,
espertinho predador!

É um gavião bonito,
tem feições elaboradas...
Mas mesmo desengonçados,
com aquela cara lavada,
os urubus são mais belos
pelas vistas desarmadas.
Existe um charme, sei lá,
no mundo da urubuzada!


Ah, se o Tom Jobim pudesse
ver o que vi inda agora:
briga de um burrovianus
com um carcará que chora
por conta de um peixe morto
pertinho do Campo Dora.
No ar deu uns petelecos,
mandou o carancho pra fora.

Dizem que todo urubu
é parente das cegonhas.
Eu bem que desconfiava
pois o bicho é sem-vergonha
dado a levar cururus
na viola com os que sonham
com a “zoofesta” do céu
contada à beira da fronha.  


Urubus têm atributos
que lhes facilitam a vida:
carecas até o pescoço,
mesmo se buscam a comida
nos ventres apodrecidos
das criações falecidas
não se sujam pois sua cara,
naturalmente, é lambida. 


Chega a ser até engraçado
quando vão se alimentar
enfiando sua cabeça
dentro daquele lugar.
Eles começam por onde
nosso pão vai se acabar.
Eis o “papo de urubu”
do ditado popular! 


E na hora do sol forte
antes da vagem rachar
abrem as asas contra o vento
sobre um toco do lugar
como faz toda cegonha
pra poder se refrescar.
Cagam nas próprias canelas
pro calor se dissipar.

Os urubus se comportam
de modos muito diversos:
brigam, xingam ao seu modo,
pela brisa são dispersos.
Fazem piruetas de amor,
no profundo azul imersos...
São tantos comportamentos,
que não cabem nestes versos.


Muito poderia dizer
do “pessoal da limpeza”.
Você também tem um monte
de histórias, sim, com certeza.
É por isso que repito
que beleza não põe mesa.
        Não há feio nem bonito
        nesta sábia natureza.


Do livro Poesia Animal (com Sidnei Olívio), Editora UFMS/ Sterna, 2003.

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Nota

Essa quase moda de viola teve como base o livro Ornitologia Brasileira, de Helmut Sick (Nova Fronteira, 1997) e observações de campo. A ornitóloga Adriani Hass gentilmente fez a revisão técnica do poema. 

Saiba mais


urubu-peba (urubu-de-cabeça-amarela): http://wikiaves.com.br/urubu-de-cabeca-amarela
urubu-caçador (urubu-de-cabeça-vermelha): http://wikiaves.com.br/urubu-de-cabeca-vermelha
urubu-da-mata: http://wikiaves.com.br/urubu-da-mata
urubu-rei: http://wikiaves.com.br/urubu-rei
urubu-comum (urubu-de-cabeça-preta): http://wikiaves.com.br/urubu-de-cabeca-preta
Buteo albonotatus (gavião-de-rabo-barrado): http://wikiaves.com.br/gaviao-de-rabo-barrado

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

OS REIS DO PEDAÇO




Para Rubem Alves



Era uma manhã das de sempre
num capão do Pantanal
ou talvez na Bodoquena...
– não, não sei bem o local.
Era uma manhã confusa:
meio rara, algo banal.

O sol se partia em mil
nas gotas frescas do orvalho
as árvores bocejavam
balançando os longos galhos
a taboquinha era flauta
e os grilos eram chocalho.

Era farta primavera:
abelhas pra todo lado,
frutos davam a sua carne,
flores jorravam melado...
Troncos cuspiam filhotes:
patinhos pretos, dourados.


Como diria o Chicó
que mora dentro de mim,

não sei bem como é que foi,
eu só sei que foi assim

que o Caburé exclamou
dentro de um alto angelim:


– Ai, que bom espreguiçar,
sestear depois que caço...
Morar numa cobertura
de um tronco, ser um ricaço...
Como é bom, mesmo miudinho,
ser o tal... rei do pedaço.

O Falcão-peregrino retrucou:

Eu sou o dono do pedaço!
Fora! Xô, seu... pigmeu.
Sou letrado, caburé,
no continente europeu.
Olhe bem pras minha garras...
repare que o rei sou eu.

Entra o Pica-pau-rei:

– Eu também tenho direito
sobre essa tosca madeira
pois cheguei aqui primeiro.
Não estou pra brincadeira.
Se vocês quiserem briga,
eu derrubo a mata inteira!


–  Quando nem buraco havia
comecei a trabalhar
nessa vil madeira morta
para o oco iniciar.
Sou do desenho animado,
mereço me instalar.


– Eu tenho um bico alvinegro,
a mais vermelha das penas,
lindos olhos, asas verdes...
Sou artista de cinema!
O buraco é meu, pois sou
a dona da Bodoquena.


– E daí, qual é o problema?
Parem de falar besteira.
Sou a maior e a mais linda
das araras brasileiras.
Trago o azul do mar nas penas
e o sol nas minhas olheiras.


– “Peraí”, gente. Qual é?
Esse oco é meu. Tem mais:
antes de 1500
já era o rei dos quintais.
Além disso, eu sou cantiga
do Vinícius de Moraes.


– Alto lá! Êpa! Tem gente!
Eu reformei este ninho.
Botei fora o caburé.
Enxotei o gaviãozinho.
Daqui não saio. Reparem
que eu sou um nobre vizinho.


– Cal-cal-calma lá! Nesse oco
botarei meus dois ovinhos.
Afinal, tenho olhos verdes
neste rosto tão branquinho...
Trago o azul, tenho o dourado
da Seleção Canarinho.


– Chega pra lá, sua amarela!
Cruza de águia! Monstrengo!
Esse oco é meu! Só meu.
Chega de história e de dengo.
Sou o rei dos céus. Mereço
pois sou forte, sou Flamengo.


– Sou o dono do buraco
meu povo amado, minha gente,
pois sou bom de bico, e até
ao comer, planto as  sementes.
Não bastasse isso, inda sou
amigo de ex-presidente.



O urutau que a tudo via
com sua sábia paciência
gritou para a bicharada:
– Que falta de complacência.
Há lugar pra todo mundo
quando se tem consciência!

Com seus olhos semi-abertos
para a luz, bico empinado,
Urutau falou, de um galho,
dormindo meio acordado:
– Essa briga é porque o mundo
está desorganizado.

– Cada qual com seu papel!
Todos têm o seu valor!
Todos são nobres e sábios.
É bonita toda cor!
Não existe tolerância
quando não existe amor.

– Organizando a bagunça:
buriti pra canindé,
pro pica-pau: bocaiuva;
angico pro caburé.
E pra grande araraúna,
manduvi será chalé.

– E se o tronco for o mesmo
disputado por vocês
numa mesma primavera,
é preciso sensatez.
Se não chegou a sua hora,
então, que espere a sua vez.

– Ou então, façam o seguinte:
quando o tempo for passando,
de pata em pata – ou de bico –,
que o ninho vá se moldando
segundo a necessidade,
de acordo com seu tamanho:

– Vem, primeiro, o pica-pau;
em seguida o tronco ampara
a nobre maracanã...
Tantos caberão, tomara:
o tucano, o urubu
e, por fim, a grande arara.

– Vamos combinar uma coisa?
Façam a reprodução
em períodos separados,
com farta alimentação...
Cada qual no próprio tempo...
Troncos à disposição.

Em meio a tantos doutores
de olhos grandes, acurados,
foi o urutau quem viu,
estando de olhos fechados:
– Há lugar pra todo mundo
num mundo civilizado!

– Discriminar é julgar,
antes que o tempo revele,
a história de cada um
e a cultura que se expele.
Não se conhece por fora
o que está dentro da pele.

– Há lugar pra todo mundo:
branco, preto, azul, dourado...
Sempre haverá um cantinho
no ambiente equilibrado.
Há lugar quando, pra todos,
direitos são respeitados.

Vendo, enfim, que a boba briga
encontrou um bom final,
o tal “pássaro-fantasma”
dos índios, o urutau,
voltou a dormir, esguio,
disfarçando-se de...
        pau.


•  •  •


Como diria o Chicó
que mora dentro de mim,
não sei bem como é que foi,
eu só sei que foi assim
que uma corriqueira história
encontrou seu próprio
                                                        fim.


Os Reis do Pedaço - Detalhe de aquarela de Ligia Zeolla Vieira

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Notas: 

Clique no nome da ave para obter informações sobre sua biologia diretamente do WikiAves (inclusive fotos e sons).

Cordel originalmente publicado no livro Poesia Animal (2003), com Sidnei Olivio 


Apresentado em 13 escolas de Campo Grande por atores amadores (alunos dos cursos de Ciências Biológicas, Artes e Pedagogia/UFMS, sob direção de Paulo Paes), dentro do projeto A Poesia É animal na Rede Estadual! (2004),  realizado com apoio do FIC/MS.

Excertos publicados na Ciência Hoje das Crianças, n°  214 (especial Biodiversidade), julho de 2010. Ilustrações de Rogério Coelho.