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segunda-feira, 17 de julho de 2017

É E NÃO É



No Pantanal certas vidas
lembram coisas de comida.
Dá vontade de brincar,
as palavras cozinhar...

fazer uma sopa de nomes
um jogo do que “se come”,

exercitar a lembrança,
olhar a vida com a pança.


Pau-d’alho lembra tempero.
Salsaparrilha também?
Louro-preto: flores brancas
que temperam o ar... mazém?

A baía é uma sopa só:
no raso tem cebolinhas.
Tem lentilha, alface d’água,
batata d’água, salsinha...

E, bem longe do Urucum,
não achei sal na salina.
Suei, no Morro do Azeite,
pra fritar minha corvina!

São plantas que dão “comida”:
pata-de-vaca, faveiro,
assa-peixe, canjiqueira,
farinha-seca, leiteiro.

Bichos com nome gostoso:
palmito, peixe-banana,
tem também a rã-pimenta
e o araçari-banana.

A pimenta-de-macaco
tem, no fruto, pó-de-mico?
E a linda rã-pimenta,
canta os versos que fabrico?

E assim, nessa brincadeira
do que é do mato e da feira,

reconstruindo o poema,
tendo os seres como tema,

acrescente novos nomes
de tudo que não se come
mas entra no cozinhar...


para o jogo continuar...


               Paulo Robson de Souza
               2001, O Livro dos Jogos (inédito)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

ENIGMAS CORTANTES (os mistérios da palavra)


Olá curumim!

Desta vez você vai retirar duas brincadeiras deste caçuá. A primeira é ler um livro inteirinho em poucos minutos. Um livro de mentirinha, impresso em papel de mentirinha, feito por editora de mentirinha... Mas, no fim, vira brincadeira séria − que começa quando você toca a capa (abaixo) com o mouse. Clicando na contracapa, começa tudo de novo!

A outra, que se confunde com a primeira, é um desafio: descobrir o nome da ave a que se refere o poema Enigmas Cortantes. Para participar dessa brincadeira, que pode ser individual ou em grupo, é muito simples: leia a primeira estrofe e – pimba! – diga ou escreva o nome da ave ou desenhe-a; não conseguindo, tente na segunda estrofe e assim por diante. Se na quinta estrofe você ainda não descobriu o nome ou as feições da ave, vá para a página seguinte, em que aparecem várias opções de nomes. Dessas, sete opções, que são seus nomes populares (os mais usados em várias regiões do Brasil), levam às páginas finais, ao fim do mistério.

Mas não conte para os outros o final, para que a brincadeira não perca a graça! Vamos lá?






___________________________



Sugestão aos mestres

Orientem a turma a escrever, em um pedaço de papel, o nome da ave à medida que o “livro” é lido. A primeira rodada será a leitura da primeira estrofe, seguida da entrega das respostas. A segunda rodada corresponderá à segunda estrofe e segunda tentativa, e assim por diante, até a quinta estrofe.
É provável que comunidades em beira de praias e rios brasileiros consigam resolver o enigma após a leitura da segunda estrofe, porque provavelmente avistam a ave na região, se identificam com ela. Não conseguindo, com certeza chegarão à resposta correta ao clicarem em uma das sete opções válidas, na página seguinte à quinta estrofe. Como o erro permite ao leitor retornar à página anterior, todos conseguirão, no final.

Ficha técnica desta brincadeira literária

Programação em flash, consultoria: Edy Wilson (projetos TIC Biologia e InterCiências, UFMS)
Coordenação pedagógica: Marilyn Matos (projetos TIC Biologia e InterCiências, UFMS)
Concepção da brincadeira literária, poema e foto: Paulo Robson de Souza/UFMS
Estagiários do projeto InterCiências/UFMS (biologia): Suelen Sandim e Urielton Martins Monteiro
Coordenação do projeto InterCiências/UFMS: Carla Cardozo Pinto de Arruda (biologia) e Ricardo Ribeiro dos Santos (coordenação geral)

sábado, 23 de junho de 2012

ENIGMA DO BREJO (raspadinha literária)



Alô garotada! 
A brincadeira, desta vez, é descobrir a que ser vivo o poema se refere, e o porquê de, mesmo tendo "orelha", não está nem aí para o barulho da nobre vizinhança. 

Divirta-se!




Ora, quem diria!
Orelha-de-onça não se irrita
com a festa da saparia.



 *  *  *

Vamos brincar de raspadinha?
Arraste o mouse sobre a figura abaixo e resolva esse enigma!





Ficha técnica desta brincadeira literária

Programação em flash, consultoria: Edy Wilson (projetos TIC Biologia e InterCiências, UFMS)
Coordenação pedagógica: Marilyn Matos (projetos TIC Biologia e InterCiências, UFMS)
Concepção da brincadeira literária, poema e foto: Paulo Robson de Souza/UFMS
Coordenação do projeto InterCiências/UFMS: Carla Cardozo Pinto de Arruda (biologia) e Ricardo Ribeiro dos Santos (coordenação geral).

Poema extraído do livro Síntese de Poesia. Paulo R. Souza, Editora UFMS, 2006

segunda-feira, 4 de junho de 2012


Lançamento dia 5 de junho (terça), às 10 horas, na Feira Agroecológica da UFMS
(corredor central), às 10 horas.

Projeto: Sabores do Cerrado e Pantanal/UFMS
Coordenação/projeto editorial: Marilia Leite
Editoração: Lennon Godoi
Editora UFMS


sábado, 12 de maio de 2012

TROVAS INFANTIS PARA AS MÃES*




1.
Quanto mais o tempo passa
bem mais aumenta o frescor
do leite materno –  uma Graça!
Mais que uma prova de amor.

2.
Quanto mais o tempo voa
minha mãe, anjo barroco,
muito mais se aperfeiçoa
– como o vinho, água de coco.

3.
É a minha mãe querida
como a mamãe de Jesus:
cuida das minhas feridas
quando encontro a minha cruz.

4.
Tanto amor!...   Como é que cabe
em uma simples mulher,
tudo de bom que se sabe,
todo bem que se fizer?

5.
É como o calor do vento
acordando as sementinhas,
quando a imagem de mãezinha
deita no meu pensamento.

6.
Quisera ter duas vidas
para lhe dar uma delas,
minha eterna salva-vidas!
Ela em mim, eu dentro dela...

7.
Quero ter a Eternidade
pra doá-la à minha mama
pra que seja sua bondade
eterna, a todos que ama.

8.
Que bom se todos tivessem
uma mamãe como a minha...
Ai ai ai... se eu pudesse
dava várias, i-guai-zinhas!...

9.
Divertida aqui em casa,
quando queremos brincar,
minha mamãe sempre arrasa
se a injustiça encontrar.

10.
<                                  >  pra todo mundo...
para mim é só... Bondade.
Bem lá no fundo, no fundo,
é seu nome de verdade!



___________________________

* A brincadeira de hoje, dirigida especialmente às crianças, é recitar essas trovas para a mamãe, depois de colocar o nome dela no espaço da trova número 10.

Modifiquei um pouco essas trovinhas, pois a versão original foi feita para nossa filha caçula Mariana (então com 9 anos) ler para a sua mãe, Elisabeth. Isso aconteceu no Colégio Amor Perfeito, Campo Grande, em 2001. O Original continha a trova abaixo:


                           A vida fica sem graça,
                           o carnaval sem confete,
                           se em minha mão o tempo passa
                           sem a mão de Elisabeth.





quinta-feira, 15 de março de 2012

ENIGMA DO BREJO


Ora, quem diria!
Orelha-de-onça não se irrita
com a festa da saparia.

(do livro Síntese de Poesia. Paulo R. Souza, Editora UFMS, 2006)


___________

Ora ora, este poema virou brincadeira literária! 
Confira a versão interativa (neste Caçuá) clicando aqui.
raspadinha literária

domingo, 4 de março de 2012

RODA VIVA (a parlenda)



Na minha infância recitávamos, batendo palmas ou os pés, os versos “hoje é domingo / pé de cachimbo / o cachimbo é de ouro / que deu no besouro (...)”.  Hoje eu sei: é uma parlenda! Essa que aprendi é mais uma das inúmeras versões de uma das mais conhecidas parlendas da nossa tradição oral.

Mas, o que é parlenda? A Wikipedia, citando Jacqueline Heylen (1991, op. cit.), afirma que é uma forma literária tradicional curta e de ritmo fácil, usada nas brincadeiras populares infantis. Geralmente, é formada de um arranjo de palavras sem acompanhamento de melodia, mas às vezes com versos rimados, obedecendo a um ritmo que a própria metrificação lhe empresta. A finalidade é entreter a criança, ensinando-lhe algo, informa a enciclopédia.

De fato, parlendas não são cantadas, mas declamadas, tendo por base a acentuação verbal, a tônica das palavras no meio dos versos e a tônica das rimas. Esse ritmo imposto pelas sílabas tônicas é facilmente percebido batendo-se palmas enquanto os versos são recitados. No exemplo, há duas sílabas tônicas em cada verso, aqui grifadas:

hoje é domingo
de cachimbo 
o cachimbo é de ouro
que deu no besouro 

Segundo Lúcia Gaspar (2010), bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco, parlendas diferem dos acalantos, que são cantigas para fazer criança dormir; dos jogos, em que há sempre disputa e competição; das canções de roda; das adivinhações ou adivinhas (perguntas enigmáticas) e das superstições. As parlendas foram introduzidas no Brasil pelos portugueses – que as chamam de cantilenas ou lenga-lengas –, adquirindo no país roupas e cores novas, mais de acordo com o caráter nacional, conclui.

Bem, chega de lenga-lenga (no sentido positivo e original do termo). Quero mesmo é brincar contigo!

Brincadeira literária – Encontre a ordem correta dos versos da parlenda “Roda Vida”

É simples: abaixo estão os versos de uma parlenda que fiz em 2001, com base em uma pirâmide trófica no Pantanal. Foram propositadamente embaralhados, sendo que, dos 23 versos, 11 foram posicionados corretamente, para facilitar a brincadeira.

Com o mouse, arraste os versos “datilografados” em vermelho, um por um, para qualquer parte da folha de caderno, para que fiquem totalmente legíveis. Em seguida, escolha qualquer um e, apertando o botão esquerdo do mouse, arraste-o para o centro da linha correspondente – para posicioná-lo corretamente, considere quatro aspectos: os versos previamente arranjados (em letras pretas), as rimas, a “historinha” (a lógica da narrativa) e “quem consome quem” na luta pela sobrevivência, inclusive os microrganismos.

Quando o verso for colocado na posição correta, as letras, que eram vermelhas, ficarão pretas, e sua posição não mais poderá ser alterada. Ao fim da brincadeira, o sinal de que a ordem dos versos está correta será o surgimento de uma animação, cuja velocidade e sentido poderão ser controlados com o mouse (desde que com o botão esquerdo apertado). Em síntese, o resultado ilustrará o ciclo da matéria orgânica (neste caso, a direção que o Carbono segue enquanto é transferido, via alimentação,  entre os protagonistas da parlenda). Divirta-se, mas não conte para ninguém o resultado!


 



Ficha técnica desta brincadeira literária

Programação em flash, consultoria: Edy Wilson (projetos TIC Biologia e InterCiências, UFMS)
Coordenação pedagógica: Marilyn Matos (projetos TIC Biologia e InterCiências, UFMS)
Concepção da brincadeira literária e foto (Vênus sobre o Pantanal): Paulo Robson de Souza/UFMS
Coordenação do projeto InterCiências/UFMS: Carla Cardozo Pinto de Arruda (biologia) e Ricardo Ribeiro dos Santos (coordenação geral)

Glossário

Caracará – o mesmo que carcará (NE) ou carancho (Caracara plancus), um gavião oportunista e generalista quanto ao hábito alimentar (alimenta-se até de carniças). Saiba mais em http://www.wikiaves.com.br/caracara

Lobó – o mesmo que traíra (Hoplias malabaricus e outras espécies), peixe carnívoro de médio porte, um predador voraz, comum em lagoas, açudes e rios de praticamente todo o Brasil. Mais informações em http://pt.wikipedia.org/wiki/Tra%C3%ADra

Pintado – peixe de couro de grande porte (Pseudoplatystoma corruscans), predador voraz de água doce. Sinônimos: surubim-pintado, surubim-caparari, brutelo, caparari, piracajara. Ocorre na Amazônia, no Pantanal/bacia do Alto Paraguai, nas bacias do Prata e do São Francisco. Mais informações em http://pt.wikipedia.org/wiki/Pintado


Para saber mais

Coletânea de parlendas e quadras populares. Sugestões de parlendas e quadras populares que podem ser trabalhadas na alfabetização inicial como textos memorizados. http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-1/coletanea-parlendas-quadras-populares-634266.shtml

Ler rima com prazer. Parlendas recitadas na hora do recreio ajudam a alfabetizar em Alagoas, por Denise Pelegrini. Revista Nova Escola. http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/alfabetizacao-inicial/ler-rima-prazer-423613.shtml

Parlenda, riqueza folclórica: base para a educação e iniciação à música. Livro de Jacqueline Heylen, segunda edição, Editora HUCITEC, 1991.

Parlenda, por  Lúcia Gaspar (2010) Fundação Joaquim Nabuco. http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=636&Itemid=1

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

MONTANDO VERSOS (720 combinações)


          

       na lama posta em camadas
       pegadas de tempos idos
       versos largados ao vento
       um cavalo pantaneiro
       brincadeira de montar
       um poema inacabado



O poema acima foi originalmente publicado no livro Poesia Animal (Editora UFMS e Sterna, 2003), em parceria com o biólogo e poeta Sidnei Olivio. Assim mesmo, sem qualquer pontuação ou letra maiúscula! Refere-se ao pequeno cavalo Eqqus vandonii, cujo fóssil, um crânio, foi encontrado por um pescador no rio Paraguai, em Corumbá (MS) e depositado em 1981 no Museu Nacional (RJ). Atualmente, uma réplica desse achado está exposta no Museu de História do Pantanal, em Corumbá (foto).

Segundo Dinos Virtuais, a exposição virtual do Museu Nacional, Equus vandonii viveu na região entre 30 a 18 mil anos atrás (Pleistoceno); portanto, não há qualquer relação com o cavalo pantaneiro atual, raça que descende de animais desgarrados das tropas trazidas da Europa ao nosso continente por colonizadores espanhóis.

Em 2004, durante o desenvolvimento do projeto A Poesia Animal é Animal na Rede Estadual!, esse poema foi remontado por crianças de 13 escolas de Campo Grande (MS), da seguinte maneira: ao final das apresentações artísticas de poemas desse livro, feitas por alunos da UFMS, os pequenos recebiam um pedaço de cartolina com o poema original e o mesmo poema, impresso em papel adesivo e com os seis  versos previamente recortados. Eram convidados a remontar os versos, fazer nova pontuação e ler o resultado – agora um novo poema – para a plateia.

Com a ajuda do professor de ciências e física Edy Wilson (um especialista em linguagem Flash) e da professora de biologia Marilyn Matos, esta mesma "brincadeira literária" está sendo reeditada pelo InterCiências/UFMS – projeto coordenado pelos professores Ricardo Ribeiro dos Santos (Coord. Geral) e Carla Cardozo Pinto de Arruda (Biologia) –, agora feita na tela do computador. Quer experimentar? Siga as instruções:


Brincadeira literária – Desconstrua/reconstrua o poema Montando Versos
Monte os versos abaixo na sequência que você achar melhor e depois faça a pontuação que você considerar mais adequada ao novo texto. Para isto, com o mouse arraste os versos  para a posição desejada (mantenha o botão esquerdo do mouse apertado). Em seguida, arraste o sinal de pontuação desejado para o final de cada verso, se julgar necessário.
Se quiser, poste o resultado dessa brincadeira em "comentários",  para que todos vejam o novo poema.
Importante:
  • Ao arrastar um verso sobre o outro, suas posições serão automaticamente invertidas. Altere a posição dos versos e substitua ou repita os sinais quantas vezes quiser.
  • São 720 combinações possíveis (Análise Combinatória do tipo Permutação, sendo n = 6 fatorial), o que significaria 720 novos poemas – desconsideradas as diversas possibilidades de pontuação. Divirta-se!




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Descubra o fóssil


Abaixo, uma foto da réplica do fóssil de Equus vandonni exposta no Museu de 
História Natural (Corumbá, MS), propositadamente coberta por "areia". Retire-a com o mouse e veja o que aparece.

 

 Descoberto o fóssil, o que se vê? 
 Na parte superior, a caixa craniana; ao centro, a mandíbula ou o queixo do animal (as peças estão voltadas para a direita, sobre areia); embaixo, uma vértebra. (Foto: P.R. Souza, 2011)




sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

CICLOS (o jogo do recomeço)




Brinque de fazer releituras desse poema clicando no círculo e girando-o na direção de sua preferência ou ao acaso, como se fosse a "roda da fortuna". Em seguida, leia o verso que aparece na parte superior. Repita quantas vezes quiser.


(2001, O Livro dos Jogos - inédito.
Programação do objeto em flash: prof. Edy Wilson - Projeto TIC Biologia)

JOGANDO VERSOS NO ENGENHO DE MAROMBA (dança de roda)


À folclorista Marlei Sigrist


[Alguém cantando ao longe, longe...]
     Como é bom fazer quadrinhas
     de cantigas populares...
     Jogar versos nesta roda
     disfarçando meus olhares.

[Menestrel falando, dando boas vindas...]
     Vamos fazer uns versinhos
     sem ter preocupação
     com a exatidão do metro...
     Falar pelo coração.

[Ela, tímida]
     Eu não sei fazer poemas,
     bordar folha igual saúva.
     Riscar verso é com as abelhas
     sobre as flores da piúva.

[Ele, introspectivo]
     Eu não sou grande poeta
     – eu lhe avisei também ―,
     grande é o sinimbu na piúva,
     tanta poesia tem.

[Ela, brincando]
     Você lembra um galo velho,
     nunca vi nada igual.
     Só que um galo bem bonito,
     cardeal-do-pantanal!

[Ele, retrucando]
     Você canta feito arara
     disso eu tenho certeza.
     Só que a mais azul das aves
     animando a natureza.

[Ela, provocando]
     Você canta feito grilo
     no calor... tão estridente!...
     Mas é um canto tão gostoso...
     Parte o coração da gente!

[Ele, todo dengoso]
     Você mais parece um bicho...
     É tão grande a semelhança...
     Uma oncinha de pelúcia
     abraçada a uma criança!

[Ela, terna e se declarando]
     Me olhando desse jeito,
     você lembra uma criança.
     Um bichinho bem bonito:
     um filhotinho de onça!

[Ele, apaixonadamente convencido]
     Encontrei um bilhetinho
     no anel de um periquito.
     “Quero ser sua namorada”
     era o que estava escrito!

[Menestrel, com cara de felicidade]
     Brincadeira que não finda,
     fazer versos de improviso!
     Verso dois rima com o quarto
     no compasso do sorriso...

[Alguém, suspirando]
     O engenho de maromba
     é um canto e uma despedida.
     Lembra um tuiuiú voando
     pelas passagens da vida.

[Alguém, já com saudade]
     Nesta quase despedida
     canto o engenho de maromba.
     Canto alegre do joão-pinto,
     canto triste de uma pomba...

[Menestrel, convidando o mundo inteiro]
     Se você for animado(a)
     continue a brincadeira.
     Faça um verso bem bonito
     sobre a fauna brasileira.
     (Mas não vá dizer besteira.)

[Alguém cantando longe daqui, feito Caetano Veloso]


(2001)

PALAVRAS (E VIDAS) CRUZADAS






1. Dias quentes. Preguiçosas cheias sem chuva
lavam a planície imensa
e levam mosquitos e larvas e coisas
de viver.
2. Campos de branco salpicados. São poesia – das econômicas.
3. Espelho móvel, cintilante
de sais e de luz
guarda o céu e
4. deita na terra a desova dos peixes. Cama de capim.
5. A palidez mais linda, 
o mais belo espelho do sol
orienta o tempo de reprodução.
6. Dezenas de árvores nuas falam por bicos moles e barulhentos,
sedentos da gosma que alimenta
e de azul.

(2001, O Livro dos Jogos - inédito)

_________________________

COMPLETE A CRUZADINHA
Depois de encontrar a palavra relacionada a cada conjunto de versos (números acima), clique sobre os quadradinhos da linha ou da coluna e digite-a. Se a palavra formada estiver correta, aparecerá um sinal verde. Se aparecer um sinal vermelho, corrija a digitação.
Programação em flash: prof. Edy Wilson (Projeto TIC Biologia/UFMS)



COLAGENS PARA TOM ZÉ (o plágio do plágio do plágio)*


Num arrastão disgramado
Tom Zé entorna o caldo
do rescaldo da sonoridade
junto à companheirada presente e passada
a limpo.


"Quem é que tá botando dinamite
em diversas cores?

É preso, todo cercado.
Fabrica armas mortais.
Arranje, senhor, um porto.


Veja que beleza:
Eu vi o cego lendo a corda da viola.

Desembaraçam-se linhas.
Andar com meu pé eu vou.
Um dois serei
de vinho e pão
na entranha.

Emeremê emeremê
Sê em meu corpo
profunda lama.

Não: não é isto que eu sinto, eu minto.
A gente já mente no gene.
Fúria de pura alfazema.

Um mero número zero um Zé à esquerda."

    * * *


Estética do plágio
plena de defeitos
(esta poesia).



* trechos entre aspas: colagens de versos de todas as composições do cd “Com defeito de fabricação” - Letras de Tom Zé e parceiros.