segunda-feira, 28 de novembro de 2016

NECESSIDADES



Água quando se tem sede. Cama para quem se esgotou ou quer esquecer. Um pão dormido basta para a profunda fome. Na solidão, mãos.

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Os rituais matutinos. Não consigo me desprender deles. É como estar dormindo sentado, se eu acordar e não praticá-los. Primeiro o banho, a barba, algum exercício fuleiro no banheiro para aprumar a coluna; depois o preparo do café, os cuidados com os cães, e beijo de despedida e a solidão das paredes...
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Janelas emolduram oportunidades, disse mais ou menos assim outro dia. São saídas mais que entrada de luz e de ar e de canto de pássaros. Janelas são as narinas das residências. Pontos de escape de pontos de vista.


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A geladeira não é somente um item para conservar alimentos. É mais um divã na vertical, onde deitamos os olhos em busca de conselhos que aplaquem nossas angústias e ansiedades.

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O sexo é uma necessidade cromossômica.

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Em busca de orifícios, o gênero masculino segue a retidão. E parece que quanto maior a retidão, maior a necessidade.

* * *

Algumas pessoas pintam os cabelos. Outras os descolorem e chamam isto de “luzes”. Umas passam titica de galinha na careca, para adubar os folículos mais mortos que múmia chinchorra. Outras extraem os pelos, um por um. Há as que se beijam no espelho, enquanto outras nem passam perto dele, para não esquecerem a imagem viçosa da juventude. Umas gostam de ver, outras de serem vistas – nuas. Há o caso famoso do nanico ditador que usa sapatos com plataforma maior que a própria tíbia; enquanto uma amiga grandona – juro que é verdade – há anos usa rasteirinha porque ouviu de uma colega (certamente baixinha!) que sua estatura era impositiva. Já o meu pai, seu Jaime, penteia os bigodes e planta bananeira na praia desde muito antes do nascimento dos netos.
Algumas dessas necessidades me cabem bem. Mas o que não consigo entender é a necessidade que algumas pessoas têm de contar dinheiro em público, uma espécie de exibicionismo “financial”, em vez de sexual. Parece que o poder de compra as fazem maiores, sei lá...


Paulo Robson de Souza
26.11.2014

Da série Poesia Todo Dia

domingo, 20 de novembro de 2016

ACADÊMICOS UNIDOS DO RIO (Samba da Piranha)

Autores: Marco Antonio Carstens Mendonça / Paulo Robson de Souza 
Intérprete: Áttila Gomes


(Clique na imagem  para ouvir)






(com CD encartado), 2011

(capa aberta)

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Acadêmicos Unidos do Rio
               (samba da piranha)

Música: Marco Antonio Carstens Mendonça
Letra: Paulo Robson de Souza




Eu não sou feroz assim.
Eu só dou umas mordidinhas.
Não me culpe se outras mil
têm essa mania minha.
Não sou tão feroz assim, viu?
Eu só dou umas mordidinhas. 
E além disso, meu compadre,
era a vaca mais fraquinha...

Eu não quero mais sofrer,
não pretendo lamentar.
Tenho que me abastecer,
sem remorso me fartar.
Chega de tanto blá-blá,
de ter fama de vilão,
porque tudo o que eu faço
é comer o meu pirão.

Eu não sou feroz assim...

Essa tal ferocidade
que dizem que eu devo ter, 
na verdade, é uma vontade
coletiva de comer.
São milhares de mordidas
para a vaca se acabar
– pouco importa essa má fama,
deixa o povo acreditar... 


Eu não sou feroz assim...

domingo, 30 de outubro de 2016

PORTAS

Música: Calos Piazer
Letra: Paulo Robson de Souza



(clique na foto para ouvir via Face)



Sementes são como portas grossas que se entregam à luz
Que, no retiro da horta, novas histórias conduz.
Embaixo da casca morta, um gás se antevê doçura
Pelas químicas estradas luz captura.

A vida é feita de fracassos e de tentativas
Em volta do milagre de nascer intempestiva.
É a certeza revelando a incerteza do momento
Tênue fio de luz rasgando infindável escuridão.

A vida tem um jeito próprio e descarado
De se fazer de morta – um fato destacado.
Quando se tem esperança, brasa é fogo adormecido
Aguardando um sopro amigo pra rasgar a escuridão.

Não é possível irromper um grito não tendo voz.
No silêncio gris do vácuo é preciso ser tenaz
Jogar fora a casca morta, ser solidão da horta
E na terra se sujar para germinar. 

Sementes são como portas grossas que se entregam à luz
Que, no retiro da horta, novas histórias conduz.
Embaixo da casca morta, um gás se antevê doçura
Pelas químicas estradas luz captura.

sábado, 3 de setembro de 2016

ENTREVISTA AO PROGRAMA CULT.E (TVE)

Entrevista ao Programa Cult.e, TVE MS.
Clique na foto para assistir.


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"O Cult.e é revista cultural semanal da TV Educativa de MS.
Neste programa uma matéria feita na Galeria Dona Neta, que fica no centro de campo grande, e virou um reduto para os apaixonados por tatuagens.
O trabalho de Paulo Robson, biólogo e professor da UFMS, que usa a fotografia e Clayton Sales conta a história do cinema em Campo Grande 
A história de um caminhoneiro que mudou sua vida e passou a construir casa de crianças.
O blog Balaio de Gato de Leandro Marques é o tema da semana na Webserie Por Aí.
O trabalho de Lambert, que usa reciclados eletrônicos como componentes de sua arte, e as dicas culturais para o final de semana.
Tudo isso aqui no Cult.e

O programa Cult.e vai ao ar toda sexta-feira 21h, com reprise aos sábados 11h.


Curta a página do programa www.facebook.com/culte.tvems"

sábado, 9 de julho de 2016

DONA CIDA



Hoje eu serei todo
atenção ao que não
não comungou
não abraçou não sorriu
não disse bom dia ao céu, qualquer que fosse sua cor.

Dona Cida chorou diante de mim, ao meu abraço de gratidão por suas orações para que eu concluísse a tese. Rezou aos pés do Altíssimo, foi o que fez. Contou-me um fato que eu não me lembrava mais, gestos de amizade que se perdem no tempo; decisões que, se para um é natural, para o outro é marca boa que fica. Dona Cida chorou de alegria e, tomada de passado bom, sorriu.

Hoje serei, todo, atenção.

Paulo Robson de Souza

14.4.14

DRAMÁTICA




A mulher declama um poema. Dramática, retira suspiros e ais de verso insosso. Enquanto isso, a poesia bate à porta, pedindo pra sair.

Paulo Robson de Souza

10.5.14

REFÚGIO DOS PENADOS



Buscava entreter seus vícios com coisas de não sei o que fazer. Uma lástima, diriam. Nunca mais conseguiu um nada sequer. Sua teimosia era comprar e comprar; prazeres que não são da carne, não são da alma, prazeres estranhos, esses de encher os olhos de bobagens que imediatamente serão descartadas, nunca usadas.

Dizem que foi dar com as fuças na miséria, tomado de assalto pelas armadilhas da vida.



Paulo Robson de Souza
Ponta Porã, 2.9.2014



RELIGAÇÃO



Refúgio
de sensos perdidos,
inconformismos
próprios da natureza.
É ombro amigo
água
trigo
vento com que arrefece corações.
Religião não é templo.
É tempo.


17.9.2014

Paulo Robson de Souza


CARPE DIEM!



Balançando o esqueleto
lá vou eu colher o dia
ter o sol, reter o vento
aspirar a maresia
sentir a vida, comer
nosso pão de poesia.



Paulo Robson de Souza
16.9.2014





domingo, 3 de abril de 2016

VALSA DA FORMIGA

(Clique na imagem para assistir)




https://www.youtube.com/watch?v=m_djkM0udGc

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Do livro Animais Mais Mais (com CD encartado)

Música: Júlio Feliz
Letra: Paulo Robson de Souza

Intérprete: Angélica Jado Chagas
Flauta: Adriano Praça

Arranjo e produção: Júlio Feliz
Fotos, imagens (celular) e edição:  Paulo Robson de Souza