
Em vez de baú, relativo à guarda de objetos caros e finos, caçuá, que me traz lembranças da infância e da poesia popular cantada nas feiras de Santana e de Conquista, na Bahia. O caçuá é ambulante, roceiro, de conteúdo discernível pelas frestas do seu trançado – seus cipós formam paredes quase diáfanas, revelando objetos que contam histórias, incitam sensações, reavivam memórias... Baú é aristocracia sobre cavalo branco. Prefiro os caminhos desbravados pelo jegue.
terça-feira, 26 de março de 2013
PÁSCOA
O velho procurou o menino
na dureza opaca do cristalino
dos seus olhos secos
de tanta aspereza.
E vendo que assim não o encontrava, chorou.
E assim, chorando
molhou o torrão que habitava os seus olhos
e viu nascer em si
um menino.
E foi do barro que criou o homem
que o velho criou o menino
e o alimentou
com a esperança de quem busca laçar manhãs
todas as manhãs
e colher pores-do-sol todas as tardes
ainda que chuvosas.
E lhe deu de beber
com a água que se esconde
nos subterrâneos de todos os desertos.
E o velho moço quando viu, chorou outro choro.
(abril de 1995)
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Muito bom Paulinho, gostei!!
ResponderExcluirLindíssimo, perfeito esse poema. Também gostei muito, Paulo, da descrição do caçuá. Um beijo, menino!!!
ResponderExcluirShirley, minha querida poeta!!! Que alegria "vê-la" aqui.
ResponderExcluirEstou sempre lendo suas publicações - mas comodamente, pelo meu email (chegam todas as atualizações). A última eu levei um susto, com aquele final cortante.
Muito bom mesmo aquele poema.
Beijos!